quarta-feira, 30 de abril de 2014

Pai Joaquim de Aruanda - "Culpado"


CULPA – Ação negligente ou imprudente ou danosa a outrem. (Mini Dicionário Aurélio – 3a. Edição)

Sempre que algo acontece que “prejudique” a um ser humano ele imagina que exista alguém que tenha “culpa” por aquilo ter ocorrido e, ao identificar tal agente, lhe impinge a denominação de “culpado”. Entretanto, a Doutrina Espiritualista Universal contempla que a Quinta Verdade Universal afirma que Deus é o “causador” de todas as coisas. Portanto, toda vez que um ser humano procurar um “culpado”, se progredir na sua análise, encontrará Deus.

Isto é o que acontece diariamente. Os seres humanos condenam outros, mas no fundo estão condenando a Deus pelos acontecimentos da sua vida. Quando acontece uma fatalidade, a primeira pergunta daquele que passa pela situação é: “Por que Deus?” Esta forma de proceder faz parte do instinto que todo espírito tem de que Deus é a “Causa Primária das coisas”.

Sempre que alguém pratica algum ato físico, este ato é comandado por Deus. Para que Deus ordene esta prática, é necessário que os sentimentos que o espírito nutra estejam coadunados com o ato. Desta forma, se alguém pratica um ato de agressão é porque ela possui como sua base de raciocínio o sentimento de agressão.

Entretanto, Deus não seria a Justiça Perfeita se comandasse ou deixasse este espírito praticar o ato contra quem não merecia ou precisava recebê-lo. A ação de Deus tem de ser perfeita, e por isso Ele coloca aquele que precisa e merece ser agressor frente aquele que precisa e merece ser agredido e comanda os atos que os dois praticarão. Cada um, na verdade, não pratica um ato, mas materializa um sentimento que possua e utilize constantemente.

Ele não age desta forma por punição ou maldade, mas dá a cada um o que é necessário para a sua evolução espiritual. A base para aplicação da Justiça Perfeita é o Amor Sublime, ou seja, objetivando com que o espírito evolua e possa viver a sua existência espiritual com mais felicidade.

Quando uma pessoa recebe um ato de outra que lhe contraria os desejos, é Deus utilizando-se desta outra pessoa para mostrar àquela o sofrimento que ela causa quando contraria os desejos dos outros. Se alguém lhe censura, é Deus agindo para mostrar-lhe o quanto transmite de sofrimento quando você censura outras pessoas.

Claro que aquela outra pessoa teve sentimentos que a tornou apta a ser a portadora da mensagem de Deus, mas ela não é culpada do ato. O ser humano prefere entender que o causador é o responsável pela causa a ter de se auto-analisar para ver a Justiça em ação. Se existe um “culpado”, este é Deus, pois foi quem causou o ato, não como punição ou castigo, mas como conselho para que aquele que o recebeu busque o Pai e promova a sua reforma. Enquanto o ser humano buscar apenas o culpado material dos acontecimentos, não encontrará o real culpado: Deus.

Portanto, a “culpa” de todos os acontecimentos da vida material é de Deus, mas não se trata de uma ação negligente, imprudente ou danosa a outrem.  Uma atitude negligente seria um ato feito de forma “imperfeita”, “desleixada”. Deus não age desta forma. Todas as atitudes que Ele comanda tem uma finalidade específica e são Perfeitas na sua forma. Ele dá a cada um a justa medida do que merece. Portanto, se um espírito precisa e merece apenas receber gritos e censuras, Deus comandará apenas estes atos. Se o espírito necessitar de atos maiores (agressão física, por exemplo), Deus comandará que o ato lhe chegue desta forma.

Deus não é imprudente, pois Ele não expõe o espírito a situações que possam atrasar a sua evolução espiritual, ou seja, dá a cada um a “cruz” do tamanho e peso que pode carregar. Quando o Pai determina que um ato seja praticado contra um espírito é porque Ele conhece o íntimo (sentimentos) de cada um e sabe que ele reúne condições de recebê-lo com “amor”. Se o espírito não escolhe este sentimento para reagir ao acontecimento é porque utiliza o seu próprio livre arbítrio.

Todos os atos de Deus não são danosos, mas buscam trazer um ensinamento necessário a evolução de cada um. É preciso que o espírito deixe o joio crescer para que possa separá-lo do trigo, na hora da colheita. Buscar um culpado é ceifar aquilo que ele imagina que não presta para si, mas com isto estará correndo o risco de eliminar um alimento futuro.

Deus é a Causa Primária de todos os atos, mas os comanda porque possui a Inteligência Suprema do Universo, que tem como atributos a Justiça Perfeita e o Amor Sublime. No momento em que o espírito entender que Deus é a Causa Primária, poderá encontrar Seus atributos nas Suas ações, mas enquanto quiser ser o juiz do Universo, só encontrará culpados.


Canal: Firmino Leite
Fonte: C.E.U
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