sábado, 23 de janeiro de 2016

O TELEFONEMA



O tilintar do telefone acordou o casal, repentinamente. Os olhos se cravaram nos ponteiros luminosos do relógio: meia-noite. A senhora tomou do fone e escutou uma voz:

Mamãe?

Com o coração disparando no peito, ela segurou o fone com mais força e pressionou o punho do marido.

Mamãe, eu sei que é tarde. Mas não diga nada até eu terminar. Antes que você me pergunte, eu andei bebendo sim. Quase perdi a direção e saí da estrada.

Fiquei muito assustada. Pensei no tamanho da sua dor se um policial batesse à sua porta para lhe dizer que eu estava morta. Eu quero ir para casa. Sei que você está doente de preocupação. Eu deveria ter ligado há dias, mas estava com tanto medo.

A senhora tentou falar. Mas, em soluços, a voz quase em desespero continuou:

Por favor, deixe-me terminar. Estou grávida, mamãe. Sei que não deveria estar bebendo agora. Mas estou com medo. Com tanto medo.

O marido, a essa altura, se erguera da cama e fora apanhar o telefone sem fio para poder escutar o que estava acontecendo. Sentaram-se os dois na beira da cama.

Eu deveria ter lhe contado, mamãe. Mas quando a gente conversa, você só fica dizendo o que eu devo fazer. Lê todos aqueles folhetos como conversar com os filhos, mas só faz falar. Você não me escuta. Nunca deixa eu lhe dizer como me sinto.

Porque você é minha mãe, acha que tem todas as respostas. Mas algumas vezes não preciso de respostas. Só quero alguém que me escute.

A mulher engoliu o bolo que se formava em sua garganta e olhou para os folhetos sobre a mesinha-de-cabeceira: Como conversar com seus filhos.

Estou ouvindo, foi só o que conseguiu dizer.

Sabe, lá na estrada, quando consegui controlar o carro outra vez, comecei a pensar no bebê. Então vi o telefone público e foi como se pudesse ouvir você dizer que ninguém deve beber e dirigir. Chamei um táxi. Quero ir para casa.

Que bom, meu bem. As mãos do casal se entrelaçaram mais fortemente e ela sentiu que o marido apoiava o que ela estava falando.

A voz soluçante continuou:

Mamãe, acho que eu consigo dirigir. Eu quero ir para casa.

Não, falou ela. Espere o táxi, por favor.

O silêncio se fez. Depois, ela ouviu o barulho de um carro chegando.

O táxi chegou, disse a garota. Estou indo para casa, mamãe. E desligou o telefone.

O casal, com lágrimas a escorrer pelas faces, atravessou o corredor e se encaminhou para o quarto de sua filha de dezesseis anos, que dormia, aconchegada entre as cobertas.

O silêncio sombrio fazia pesar o ar.

Precisamos aprender a escutar. – Disse ela.

Ele a virou para que ela o pudesse encarar.

E vamos aprender. Você vai ver.

Abraçaram-se e ela afundou a cabeça no ombro dele.

Será que aquela garota, algum dia, vai se dar conta de que discou o número errado?

E a mulher disse ao marido:

Talvez não tenha sido tão errado assim.

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Deus tem extraordinárias formas de nos dar avisos importantes. Por vezes, pode ser, no meio da noite, uma ligação errada. Uma voz em desespero, a filha de alguém que pede ajuda.

Tudo isso para nos alertar que poderia ser a nossa filha, se não mudarmos a nossa forma de agir, de ser, de nos comunicarmos.

E sempre o aviso chega a tempo de alterar a nossa rota de procedimento antes de um desastre futuro.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita, com base no cap.
O telefonema à meia-noite, de Christie Craig, do livro Histórias
para aquecer o coração das mães, de Jack Canfield,

Mark Victor Hansen, Jennifer Read Hawthorne e
Marci Schimoff, ed. Sextante.
Em 10.11.2014


  
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