domingo, 5 de junho de 2016

Owen K. Waters - "Os tempos estão mudando" - 22.05.2016



Nestes dias, o Vaticano disse que não há problema algum em acreditar nos alienígenas extraterrestres. O Vaticano não é o único bastião do conservadorismo para ter saído com esta política nos últimos anos. Tanto o governo Britânico quanto o Francês liberaram agora os seus extensos arquivos sobre as descobertas de Objetos Voadores Não Identificados.

Os Governos estiveram cautelosos ao falar sobre os Objetos Voadores Não Identificados desde o pânico nacional que Orson Welles causou na América em 1938, quando ele leu uma adaptação do “romance” de H.G. Well: “A Guerra dos Mundos” no rádio. A transmissão durou 60 minutos sem interrupção comercial e foi formatada como uma série de transmissões de notícias sobre uma contínua invasão alienígena da Terra.

Pessoas que se sintonizaram com o programa de rádio após o anúncio inicial sobre ele ser uma ficção, foram arrastadas pelo pânico, o que se espalhou rapidamente por todo o país. O drama atingiu de tal forma o público naqueles dias tensos e ansiosos que antecederam a Segunda Guerra Mundial, que milhões de ouvintes entraram em pânico. A precipitação da imprensa foi enorme, com 12.500 artigos de jornais aparecendo sobre este episódio durante o mês seguinte.

Durante décadas desde então, o medo do pânico público diante de uma potencial aterrissagem alienígena em massa ajudou a manter os governos silenciosos sobre os incidentes de Objetos Voadores Não Identificados. Havia também o medo persistente nas mentes de políticos que, se os extraterrestres pousassem e emitissem palavras de sabedoria, as pessoas poderiam começar a seguir os ETs em vez dos políticos. Este medo foi amplamente ofuscado pelo fato de que, hoje, bem poucas pessoas ouvem os políticos de qualquer maneira!
No jornal do Vaticano, o Ver. José Gabriel Funes, diretor do Observatório do Vaticano, foi citado enquanto falava sobre a vastidão do universo e que é possível que pudesse haver outras formas de vida fora da Terra, até mesmo, inteligentes. Assim, ele disse,  acreditar que o Universo possa conter vida alienígena não contradiz uma fé em Deus.

“Como podemos descartar que a vida possa ter se desenvolvido em outros lugares?” Funes disse: “Assim como consideramos as criaturas terrestres como irmãos e irmãs, por que não deveríamos falar sobre um “irmão extraterrestre”? Ele ainda seria parte da Criação.”

Na entrevista para o artigo do jornal, Funes disse que tal noção “não contradiz a nossa fé”, porque os alienígenas seriam como “colocar limites” na liberdade criativa de Deus.

Funes disse que a ciência, especialmente a astronomia, não contradiz a religião, tocando em um tema do Papa Bento XVI, que fez da exploração da fé e razão, um aspecto fundamental do seu papado. O Observatório do Vaticano fez grandes esforços para unir a lacuna entre religião e ciência. Ele foi fundado em 1891 e está sediado em Castel Gandolfo, a residência de verão do Papa, uma cidade à beira do lago, nas colinas de Albano. O Observatório do Vaticano também tem uma equipe que realiza pesquisas no Observatório da Universidade de Arizona, em Tucson.

Funes chegou a dizer que a Bíblia “não é um livro de ciência”, acrescentando que ele acredita que a teoria do Big Bang é a explicação mais “razoável” para a criação do universo. A teoria diz que o universo começou há bilhões de anos na explosão de um único ponto, super denso, que continha toda a matéria. Mas, ele disse que tal início do universo teria sido obra de Deus, pois “Deus é o criador do universo e não somos o resultado do acaso.”

Funes pediu à igreja é à comunidade científica para deixarem para trás as divisões causadas pela perseguição de Galileu, há 400 anos, dizendo que o incidente “causou feridas”. Em 1633, o astrônomo foi julgado como herege e forçado a se retratar de sua teoria de que a Terra girava em torno do sol. O ensinamento da Igreja na época colocava a Terra no centro do Universo. Galileu foi preso e, mais tarde, libertado para passar os seus últimos anos sob prisão domiciliar.

“A Igreja, de alguma forma, reconheceu os seus erros”, ele disse. “Talvez ela pudesse ter feito melhor, mas agora é o momento de curar aquelas feridas e isto pode ser feito através do diálogo calmo e da colaboração.” O Papa João Paulo declarou em 1992 que a decisão contra Galileu foi um erro resultando da “incompreensão trágica mútua.”

A partir deste artigo de notícias recentes, parece que o Vaticano está agora unindo a lacuna entre ciência e religião, em uma tentativa de se tornar alinhado com a visão mais ampla da realidade apresentada pelo moderno conhecimento científico. Aonde isto irá levar é uma incógnita, mas uma consciência em evolução na humanidade cria muito espaço para o potencial para a reforma filosófica nas áreas tradicionais.

É encorajador ver que, hoje, os tempos estão certamente mudando.  


Autor: Owen K. Waters 
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