sexta-feira, 15 de julho de 2016

Talita Rebello - "Divino paradoxo" - 05.07.2016



Um dia você acorda e sente um desconforto que não pode negligenciar – nem se quiser, nem se tentar.

Ele se mostra presente em cada conversa, em cada música, em cada propaganda de margarina.

Tudo te remete àquele incômodo.

Você o sente no corpo, o coração descompassa, o estômago revira, a garganta aperta – que instrumento mais inteligente! O corpo, definitivamente, é um dos canais de comunicação com a vontade da nossa alma. Quando nenhum outro sinal foi percebido, no corpo ele não poderá ser ignorado.

O corpo materializa as emoções não digeridas, as insatisfações, as frustrações, os arrependimentos, a ansiedade, o medo.

Podemos recorrer à “Neosa”, ao Omeprazol, à Maracujina. Sim, podemos postergar o enfrentamento. Podemos postergá-lo indefinidamente: salva-se a mente, deteriora-se o corpo. Resolve-se a consequência, mascara-se a causa.

Nada existe em nós por engano, tudo serve a um propósito e – pasme – foi estrategicamente escolhido por você mesmo. Cada característica sua, cada fraqueza, cada “erro”. É como um jogo em que você monta um personagem: escolhe a cor do cabelo, a altura, os pontos fortes e os pontos fracos – e o Pai te assiste jogar doido pra dar palpite, afinal ele já passou por todas as fases!

O primeiro ponto de mudança é: sou responsável (e não vítima). Quando assumimos a consciência da responsabilidade, é inevitável fazermos uma retrospectiva da vida, dos momentos em que nos sentimos oprimidos, atacados, subjugados. Revivemos mentalmente alguns dramas, para que possam ser ressignificados pelo ser (agora) consciente.

A raiva, o medo, a culpa e as mágoas transformam-se em perdão, em profunda gratidão.

Vejo que há seres que se dispuseram a participar do meu plano de alma justamente para que que eu pudesse experimentar a materialidade, a dualidade, o ego e, quiçá, em meio a tudo isso, despertar!

São apenas outros jogadores. Quando o jogo acaba, voltamos todos para casa e nos sentamos à mesa com o Pai. Jogamos bem? Jogamos mal? Não importa, mas se quisermos, podemos acolher as dicas e voltar a jogar.

Mas que é que eu preciso saber?

Apenas que você não é o personagem. Lembrar-se do ser. Lembrar-se da responsabilidade. Lembrar-se do que te moveu a jogar. Lembrar-se que cada um é uma peça que deseja contribuir com o aprendizado que você escolheu (e escolhe) vivenciar.

Aí você está pronto para mais um passo: aceitar as dicas do Pai e fazer do seu corpo um instrumento de amor, de leveza, de paz, de alegria. Percebe que através dele pode mover-se divinamente entre as pessoas, sendo essência e reconhecendo essências, sendo generoso, respeitando, tolerando, acolhendo.

O jogo da colaboração. Paradoxo?

Sim, divino paradoxo.


Autor: Talita Rabello 
Fonte: https://www.facebook.com/talita.rebello
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