domingo, 7 de agosto de 2016

Não existe almoço grátis!



As dificuldades que temos em relação à prosperidade financeira estão muito ligadas às nossas crenças a respeito do dinheiro e à facilidade ou dificuldade em se permitir receber o que é bom. Já escrevi a respeito deste assunto outras vezes.

Mas hoje gostaria de falar sobre uma crença em particular, de que existem coisas ou serviços que deveriam, ou poderiam ser “gratuitos”. Principalmente nos trabalhos espirituais e nas terapias holísticas, ouvimos muito a seguinte frase: “devemos dar de graça o que recebemos de graça”.

Então, se você tem um dom, recebeu isso gratuitamente, portanto, deve ajudar as pessoas sem cobrar nada. Já até recebi críticas com relação, ao meu trabalho por cobrar pelas sessões e por ministrar cursos que também são pagos. Na visão de algumas pessoas, se é um trabalho tão bom, que ajuda os outros a crescerem espiritualmente e emocionalmente e eu tenho um talento ou um dom de fazer esse trabalho bem feito, deveria ensinar gratuitamente a todos, caso contrário não estou sendo altruísta por trocar um trabalho tão nobre por essa “coisa chamada dinheiro”. Estou fazendo algo visando um retorno e não é nobre fazer as coisas esperando algo em troca.

Já outras pessoas compreendem bem que ser terapeuta é uma profissão como outra qualquer e que precisa ser bem remunerada, afinal, justamente por ser um trabalho tão importante, precisamos de profissionais bem qualificados. Creio também que cantar, dançar, atuar, ser um bom cirurgião, um bom cabeleireiro, cozinheiro etc. também são dons, talentos mesmo, mas essas pessoas também precisam ser bem remuneradas pelo que fazem, independente do quanto gastaram pra chegar até onde chegaram. Os que têm mais talento podem ter gasto bem pouco, os que têm menos devem ter se esforçado e gastado mais.

Mas o ponto da questão é que, mesmo nos trabalhos voluntários, trabalhos espirituais e espiritualistas das mais diversas religiões e filosofias, tudo que é feito ali, nada é de graça. Pode ser até que você vá até um local desses, recebe a ajuda que estava precisando e não precise pagar por isso, então você chega à conclusão que foi de graça. Na verdade não foi, pois alguém pagou por você. Quando você não paga por algo, significa que alguém pagou pra você. É simples. No caso das religiões são os membros que fazem as doações, o dízimo, e as pessoas que gostam de ajudar mesmo quando não frequentam o local, mas querem patrocinar.

Pra qualquer tipo de serviço ou de trabalho sempre há despesas envolvidas. Mesmo que as pessoas tenham um dom, um talento “gratuito”, tem o local, a manutenção do espaço, as contas de água, luz, telefone etc. E, ainda, o trabalho voluntário dos que estão ali também custa dinheiro para essas pessoas. Elas deixam de trabalhar para estar lá, gastam com transporte, alimentação, compram livros, estudam para se aprimorar, gastam o seu próprio tempo para que o serviço seja “gratuito”. Por isso, não existe almoço grátis.

O mesmo ocorre com os serviços públicos de saúde, educação que são “gratuitos”. Na verdade, todo mundo sabe que são os impostos que pagam por isso, através do trabalho das pessoas. Já ouvi gente falando “mas o ônibus devia ser de graça, é um absurdo a passagem tão cara”. Mas se for de graça, a sociedade vai pagar com os impostos porque caso contrário a empresa fecha. O dinheiro sempre sai de algum lugar.

Quando você faz um trabalho voluntário, você está pagando para ajudar outras pessoas. E quando você recebe um trabalho voluntário, seja espiritual, emocional, seja um corte de cabelo de alguém pelo qual não deu qualquer ajuda financeira, a pessoa que lhe ajudou e outras pagaram a conta pra você.

Mas não há nada de errado nisso, a princípio, afinal podemos sair com um amigo ou com uma pessoa desconhecida para um restaurante e pagar a conta para essa pessoa. O importante de tudo isso que quero chamar a atenção é que se deve ter consciência de que alguém pagou. Fica a critério de quem prestou o serviço cobrar ou não e fica a critério de quem recebeu doar ou não nos casos em que não há cobrança. No final das contas, quem recebe esses trabalhos e acha “errado” que se cobre por eles, está fazendo outras pessoas pagarem para ela.

Tem uma religião que conheci que faz um trabalho maravilhoso de ajuda às pessoas. São muitos voluntários e uma boa estrutura física para se cuidar. Neste local é proibido receber doação. Mesmo que os frequentadores queiram ajudar em algo, não podem. Já me explicaram os motivos pelos quais se age dessa maneira e eu até que compreendi, porém, no final das contas, o que a maioria das pessoas entende, as crenças que acho que ficam entre os que frequentam o local são as seguintes: “esse lugar é muito bom mesmo, porque não cobra e nem aceita que se pague, nem mesmo doação”, “assim é muito mais nobre”, “quando fazemos algo não podemos receber nada em troca, quando recebemos, não fomos altruístas”, “altruísta mesmo é aquele que não recebe de jeito nenhum”.

Isso também vai dar origem a outras crenças: “quem recebe é ganancioso, só visa o lucro, não está ajudando verdadeiramente de coração, é desonesto, só quer o dinheiro etc.”. Daí muitas pessoas terem raiva, aversão as religiões que se fala abertamente em doar, em dízimo etc.

Tudo isso gera bloqueios financeiros, bloqueios em receber. “Eu posso doar, é bonito doar, é altruísta, mas não posso receber”. Escrevi outro artigo falando sobre “O egoísmo de só doar e não receber” que destrincha melhor essa crença. O que é que tudo isso tem a ver com a EFT? Bem, a técnica pode ser utilizada para eliminar crenças. Isso se você sentir que essas crenças têm algo de negativo e deseja se libertar mais delas, se acha que elas de repente estão causando dificuldades em se receber dinheiro. E você pode começar elaborando frases como:

“mesmo que eu sinta que devo dar de graça o que recebi de graça, eu me aceito profunda e completamente”, “mesmo que eu ache que quem cobra está sendo egoísta…”, “mesmo que eu sinta que é errado cobrar…”, “mesmo que eu tenha medo do julgamento que as pessoas vão fazer se eu quiser cobrar…”.

Vejam bem, a EFT não consegue por si só eliminar uma crença nem faz lavagem cerebral em ninguém, nem consegue tornar alguém um ganancioso sem culpa. Quando aplicamos a EFT, nós afirmamos com convicção a nossa crença que achamos ser verdadeira (sim, observe que não fazemos uma afirmação oposta à crença, afirmamos a crença mesmo!) enquanto tocamos nos meridianos de energia. E quando fazemos isso, começa uma limpeza de bloqueios de energia que estão ligados à crença e estes, por sua vez, são dissolvidos. Começa a ficar mais claro o que é que está por trás da crença. Os bloqueios inconscientes vêm à tona e são dissipados, trazendo uma clareza mental. Por isso, coisas que antes víamos como verdades absolutas começam a ceder e conseguimos enxergar coisas que não víamos antes.

Através desse processo você poderá abrir os caminhos para receber muito mais e, como consequência, poderá ser um doador ainda melhor!

André Lima  


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Autor: André Lima
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