SARAH VARCAS - "A DANÇA DA ENTREGA CORAJOSA"



Esta lua cheia, em conjunção com Netuno e a Lua Negra Lilith, incentiva-nos à profunda contemplação de quem nós somos, à parte dos detalhes de nossas vidas. Quando nos desapegamos daquelas coisas que nos definem, é possível que ocorra uma desconcertante dissolução do “eu”. Portanto, ao fazermos isso, acolher o que resta de nós torna-se um ato de coragem espiritual. A desidentificação com circunstâncias, experiência, riqueza (ou falta de) e função (ou falta de) nos leva além do “eu” desta nossa existência para a essência que emana de um coração liberto.

Esta essência recebeu inúmeros rótulos; foi conceitualizada e teorizada, negada e levantada como um troféu do caminho espiritual. Alguns acreditam que ela existe, outros não conseguem conceber que isto seja possível, outros afirmam ter conhecimento íntimo dela. Cada um de nós tem seu próprio relacionamento com sua própria essência que, nesta lua, poderá ser encontrada em sua forma mais pura e autêntica. Ao nos afastarmos de tudo o que sustenta a individualidade e identidade, podemos nos voltar para a fonte de pura energia que flui através de nós vinda da própria Vida. No signo final do Zodíaco, esta lua nos lembra que o fruto maduro do nosso caminho espiritual é experimentado no âmago do nosso ser, não nas armadilhas externas de nossas vidas.

Entretanto, tal encontro com nossa essência nem sempre é agradável! Muitos têm se referido ao trauma do despertar, da destruição que ele pode causar em nossas vidas, quando os enganos da consciência mundana não conseguem mais existir ao lado da Verdade. Este não é um caminho para os fracos de coração, e nem é todo doçura e luz. Mas, para despertar, é necessária uma disposição genuína para vivenciar o Eu além do ego e da identidade. O que quer que usemos para sustentar nosso ego deve ser colocado sobre o altar da introspecção, pronto para quando esta também exigir liberação.  

As emoções podem se intensificar, nesta lua, e a sensibilidade aumentar, portanto cuidado com a auto-abnegação como ato de violência contra um coração delicado. Devemos tratar do sofrimento, ao mesmo tempo em que liberamos a própria perspectiva que o transforma em “eu”. Energia é energia. Ela vem e vai, eleva-se e cai. Nós a vivenciamos como emoção e inspiração, motivação e doença, desejo e aversão. Ao dar nomes a estas coisas, nós as tornamos reais e construímos um “eu” ao redor delas – uma ação necessária em um mundo que exige identidade e substância de todos nós. Mas este não é o único mundo, e nós não somos tudo o que parecemos ser. Esta lua cheia ilumina o paradoxo do eu e o não-eu, do ego e a essência, e a dança que devemos dançar para conhece-los.


Autor: Sarah Varcas 
Tradução: Vera Corrêa - veracorrea46@gmail.com
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