ADORÁVEIS MULHERES – O ESPÍRITO EXPOSTO NUM PANORAMA HISTÓRICO



Louisa May Alcott escreveu há 150 anos um dos clássicos da literatura norte-americana. A narrativa é uma semi-biografia; as irmãs Jo, Meg, Amy e Beth March refletem o cotidiano das irmãs Alcott, assim como suas aspirações, dores e alegrias durante o período da Guerra Civil nos Estados Unidos. A história é uma exposição do ser daquelas personagens, com todas suas qualidades e características que elas não gostam em si mesmas. Por isso, atinge o público no coração há décadas. Em sua versão recente, Adoráveis Mulheres traz uma produção espetacular que honra sua história original, mas que também criativamente abre espaço para uma manifestação dentro da nova energia. 

 A narrativa habilmente conduzida por Greta Gerwig (Lady Bird) mescla duas linhas de tempo: as irmãs March em sua infância, em que elas possuem um ambiente seguro e aberto para expor quem realmente são; e suas versões sete anos depois, quando o paradigma social exige que escolhas sejam tomadas e suas responsabilidades assumidas. Jo (Saoirse Ronan) é uma ótima escritora, Meg (Emma Watson) tem uma aptidão para moda e atuação, Amy (Florence Pugh) possui habilidades na pintura e Beth (Eliza Scanlen), sempre em seu próprio mundo interior, é formidável ao tocar piano. As quatro crescem muito unidas criando seus pequenos teatros e, mesmo com seus desentendimentos, seu laço permanece forte. 

Ao crescerem, elas conhecem bem as regras do mundo em que estão inseridas. No entanto, sem negar suas identidades, cada uma caminha numa direção que concessões precisam ser feitas, mas que estão alinhadas com suas essências. O filme traz um bloco de como a alma pode ser alegremente manifesta; como ela pode gerar experiências incríveis, absorver aprendizados importantes e criar soluções adequadas mesmo num contexto bastante limitado. 

E, com a nova energia presente e o maravilhoso recurso da metalinguagem, Gerwig permite que um certo desejo de Alcott possa ser expresso nos dias atuais. Assim, também mostrando que é possível honrar e ver as partes positivas do passado, mas estar alinhado com a liberdade da nova realidade. 

Ainda com Laura Dern, Meryl Streep e Timothée Chalamet no elenco, Adoráveis Mulheres é um filme que se comunica direto no coração. A conexão do público com as personagens acontece do começo ao final.

“O amor desarma o receio, e a gratidão pode dominar o orgulho.” - Louisa May Alcott

Camila Picheth


Autor: Camila Picheth (Equipe Sementes das Estrelas)
Fonte: https://serialcookies.com.br/
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