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sexta-feira, 3 de julho de 2020

Sarah Varcas - "Recuperação da independência"



Último de três eclipses, este eclipse lunar em Capricórnio inicia um processo de “repadronização” emocional em resposta a eventos e experiências do mês passado. O asteroide Vesta em Câncer, opondo-se a este eclipse, exprime a importância da inteligência emocional. É possível que estejamos muito sensíveis e, embora isto possa nos ajudar a navegar as difíceis águas interpessoais, também poderá torna-las barrentas e nos levar a mares mais agitados. Vesta em Câncer tem necessidade de ser essencial para os outros, o que pode nos deixar deprimidos se todos estiverem se saindo perfeitamente bem sem a nossa presença. Cuidado com a tentação de fazer uma cena para que tudo seja do seu jeito ou que você seja o centro dos acontecimentos. Conduza os relacionamentos conscientemente e aperfeiçoe a percepção relacional. Preste atenção aos disparos emocionais e ao que essa emoção o impele a fazer. Mas espere antes de fazê-lo. As emoções estão sempre em movimento e, às vezes, deixa-las passar é a abordagem mais construtiva. Por fim, devemos ser capazes de nutrir a nós mesmos e uns aos outros, e saber que colocar a responsabilidade de nosso bem-estar emocional nas mãos de outros pode nos levar ao sofrimento, à vitimização. Este eclipse oferece a oportunidade perfeita para refletirmos sobre qualquer área da vida onde esperamos que outros cuidem mais de nós do que nós mesmos; e, em seguida, nos reequilibrarmos nesse sentido.

O asteroide Pallas, agora em conjunção com Júpiter e Plutão em Capricórnio, fortalece aqueles que temem as implicações de enfrentar a nova realidade que se desenrola ao nosso redor. Até agora, neste ano, os acontecimentos têm levantado mais perguntas do que as tem respondido, e muitas pessoas estão buscando perspectivas novas. Pallas nos alerta para a necessidade de discernimento sábio e raciocínio vigoroso, resistente. Em Capricórnio, a rainha guerreira, conhecida por seus conselhos inteligentes, abre nossos olhos para o papel das autoridades em nossas vidas e das imposições que nos são ditadas por aqueles aos quais nós entregamos nosso poder.

Assim sendo, este eclipse tem trata da recuperação da independência, e sua energia é melhor aproveitada para apoiarmos uns aos outros com esse fim. Podemos sentir-nos movidos a nos dedicar a uma causa ou ideal e cultivar um foco intencional. Uma sensação de urgência está surgindo e muitos sentem uma pressão crescente para agir. No final deste ano teremos o início de um novo ciclo, quando Júpiter e Saturno formarão uma conjunção no primeiro grau de Aquário. Esse período intermediário será infundido com o sabor deste eclipse que inicia o estágio final da jornada de Plutão através de Capricórnio, que começou em janeiro de 2008. No final deste ano, Plutão terá poucos aliados no signo do carneiro, com Saturno, Júpiter e Pallas tendo mudado para Aquário. Este também é o último de uma sequência de eclipses em Capricórnio, que começou em janeiro de 2019.  

Tudo isto aponta para a mudança gradual da energia, que se afasta do controle autoritário “de cima para baixo”, dirigindo-se para uma dispersão mais igualitária do poder entre o povo. Essa mudança coloca em nossas mãos uma responsabilidade pesada e, ao mesmo tempo, libertadora, pois cada um de nós deve decidir o papel que deseja desempenhar na criação de nosso novo mundo, enquanto Plutão se aproxima de sua partida final de Capricórnio em novembro de 2024.

Esta pressão interna de mudança crescente é semelhante a estarmos sentados no topo de uma montanha-russa enquanto o carrinho se arrasta, muito lentamente, em direção ao ponto mais alto, antes que a gravidade intervenha e despenquemos livremente lá de cima. Tais momentos são acompanhados de emoção e medo, antecipação e ansiedade, em igual medida. Não podemos voltar atrás e sabemos que em breve avançaremos tão rapidamente que não haverá como nos fazer parar, aconteça o que acontecer. Mas o presente é um limbo, pressionando-nos de todos os lados, exigindo coragem, audácia e fé. As frustrações aumentam e os ânimos se desgastam. Pode nos faltar paciência; e a necessidade de aliviar a pressão pode nos levar a agir com uma imprudente desconsideração pelas consequências. Mas, algumas vezes, desconsideração imprudente pode ser sabedoria disfarçada. Somente nós mesmos sabemos se somos motivados por uma voz interior confiável ou se nossas emoções estão exaustas pelas exigências, conflitos e imposições deste tempo sem precedentes.

Acima de tudo, este eclipse assinala a necessidade de cada um de nós assumir o resultado deste processo agora; de nos afastarmos de qualquer sentido de mártir ou vítima e assumirmos nosso próprio poder soberano, ainda que coletivo. Marte entrou em Áries, seu próprio signo, em 28 de junho, onde permanecerá por seis meses. Este é um Marte capacitado, habilitado, preparado e pronto para seguir sem hesitação! Podemos aproveitar essa energia para afirmar nosso direito a discernir por nós mesmos a verdade de uma questão e agir de acordo com essa verdade. Porém, ação sábia exige conscientização ampliada, enquanto percorremos este terreno atual desafiador. Com que facilidade poderíamos entrar em conflito, opondo-nos uns aos outros, instigados por aqueles que ganham com a nossa divisão e sofrimento! Marte em Áries carece do discernimento da reflexão moral, quando o pavio está aceso! É por isto que alimentar a inteligência emocional pode ser justamente o que salvará a situação quando os ânimos se exaltarem, como já está acontecendo com muitos neste momento.

Nos próximos seis meses, diversas narrativas se desdobrarão e nos dividirão, se assim permitirmos. Marte em Áries pode acender as chamas do conflito ou afirmar a necessidade de um terreno comum no qual possamos trabalhar juntos para recuperar nosso futuro coletivo. Sempre temos uma escolha, e nunca foi tão vital escolher bem! Áries é o signo dos novos começos, mas ainda não estamos exatamente lá. Há muito a ser resolvido, corrigido, concluído primeiro, mesmo enquanto olhamos para o futuro com Marte ao nosso lado. Netuno, em seu próprio signo (Peixes, o último signo do zodíaco) marca a passagem desta finalização que ainda levará alguns anos.

Estamos cavalgando o antigo e o novo, o passado e o futuro, um paradigma cansado, desgastado, e uma nova maneira de ser, tão distante do que já vimos antes, que ainda não conseguimos sequer imaginar o que está por vir. Mas aqui, no momento presente, quando a lua é eclipsada em Capricórnio, podemos ter certeza de que este mundo está despertando de um sono profundo e entorpecedor, para surgir como uma fênix e saudar um novo amanhecer. 


Autor: Sarah Varcas 
Tradução: Vera Corrêa - veracorrea46@gmail.com
Facebook: https://www.facebook.com/AstroAwakenings
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