O Retorno ao lar

Gerrit Gielen – “Em relação ao autismo: uma abordagem espiritual e consciente da alma”

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EM RELAÇÃO AO AUTISMO: UMA ABORDAGEM ESPIRITUAL E CONSCIENTE DA ALMA

Na visão convencional, o autismo é frequentemente considerado um transtorno do desenvolvimento: um desvio que deve ser corrigido ou controlado para que a criança possa se adaptar melhor à sociedade. Uma abordagem espiritual, no entanto, convida a um ponto de partida fundamentalmente diferente. A questão central não é o que está faltando? mas sim o que essa criança veio trazer?

A criança autista é caracterizada por uma pureza interior particular e uma sensibilidade refinada. Essa pureza é frequentemente acompanhada de medo — não tanto medo, mas um traço de personalidade, mas como uma resposta de uma alma aberta e vulnerável a um mundo que é energeticamente grosseiro, rápido e avassalador. Esse medo é direcionado principalmente aos outros e se expressa em evitar contato visual, afastamento da comunicação e uma aparente falta de interesse na interação social. O que é interpretado externamente como distância ou desinteresse é, na realidade, uma forma de autopreservação.

Como resultado, o desenvolvimento social pode ficar atrás do desenvolvimento intelectual. A consciência da criança autista não é orientada principalmente para convenções sociais, mas para experiências internas, padrões, verdade e essência. Isso geralmente faz com que a criança se sinta diferente desde cedo, o que pode intensificar ainda mais o medo subjacente.

UMA PERSPECTIVA ESPIRITUAL MAIS AMPLA

De uma perspectiva espiritual, as crianças autistas podem ser vistas como parte de um movimento energético mais amplo na Terra. Eles encarnam com uma frequência vibracional mais alta e não se adaptam às estruturas, normas e energias existentes neste mundo. Em vez de se conformarem, eles espelham. A presença deles expõe onde nossa sociedade falha em autenticidade, segurança e amor incondicional. Muitas vezes, sem palavras, eles pedem sintonia com um nível de consciência mais alinhado com o mundo da alma: mais lento, mais honesto, mais puro e mais amoroso.

Estas crianças obrigam os pais, os educadores e, em última análise, a própria sociedade a transformar-se —não através da luta, mas através da sua presença. Simplesmente por serem quem são, eles revelam onde nosso mundo carece de segurança, autenticidade e amor incondicional.

O erro mais fundamental que pode ser cometido em relação ao autismo é abordar a criança como algo que precisa ser corrigido. Quando uma criança sente constantemente que não é boa o suficiente como é, que precisa mudar para ser aceita, uma profunda ferida na alma é tocada. A criança autista é extremamente sensível a esta corrente subjacente. Percebe perfeitamente se é bem-vindo em sua essência. A rejeição, por mais sutil que seja, confirma o medo primordial: Não tenho permissão para ser quem sou. Em resposta, a criança se retrai ainda mais e se fecha.

O primeiro passo numa abordagem de cura é, portanto, a aceitação completa e incondicional. Reconhecendo que esta criança veio trazer algo único —não apenas para o mundo, mas especificamente para a vida dos pais. A criança não chega a esta família por coincidência. Do ponto de vista da alma, este é um encontro consciente: a criança convida os pais ao crescimento interior —ao abandono do controle, das expectativas e do condicionamento, e à abertura para um conhecimento mais profundo.

Amor incondicional, neste contexto, significa não querer mudar a criança, mas vê-la verdadeiramente. Reconhecendo seu ritmo, sua sensibilidade e sua verdade. Dentro deste campo de aceitação, o medo pode dissolver-se lentamente.

INTERESSE GENUÍNO E PONTE DE CONEXÃO

O segundo passo essencial é demonstrar interesse genuíno no mundo interior da criança. Ao estar verdadeiramente presente com o que fascina a criança, abre-se uma ponte. Quando a criança sente que seus interesses, sua maneira de perceber e sua experiência interior são importantes, surge um desejo natural de conexão. A comunicação então não surge da pressão ou do treinamento, mas da segurança e da ressonância. O desenvolvimento social e verbal segue organicamente, de acordo com o ritmo da própria alma.

Em última análise, relacionar-se com o autismo exige o reconhecimento da alma humana como princípio orientador. A criança autista não simplesmente cruza seu caminho; é um professor que convida os pais ou cuidadores a elevar a consciência a um nível mais alto. No espelho da sua pureza, encontramos o caminho de volta aos nossos próprios corações.

Nesse sentido, a criança autista eleva não apenas a sua própria consciência, mas também a dos pais. É um caminho de transformação, no qual o amor, a presença e a consciência da alma ocupam o centro das atenções. O autismo torna-se assim não uma limitação, mas um convite a uma forma mais profunda de ser humano

Canal/Autor: Gerrit Gielen
Fonte primária: https://www.jeshua.net
Tradução: Sementes das Estrelas / Cassianno Rossi

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