
A PRÁTICA DE FAZER MENOS, DE PROPÓSITO
Hoje em dia, muitas pessoas com quem converso estão sofrendo de esgotamento — exaustão decorrente de um trabalho interminável que, muitas vezes, parece não ter sentido; vidas sobrecarregadas, sem descanso reparador suficiente; a necessidade constante de responder a mensagens; a sobrecarga de informações; o desgaste causado pelo hábito de rolar a tela nas redes sociais; e a enxurrada de notícias estressantes sobre o que acontece no mundo.
Se você está passando por isso, quero compartilhar uma habilidade que parece simples, mas que pode ser surpreendentemente difícil: fazer menos, de propósito.
Refiro-me a fazer menos como uma prática deliberada, e não por não conseguir dar conta das demandas. Trata-se de uma escolha consciente — bem diferente de uma situação forçada, em que o esgotamento é tamanho que você mal consegue manter a cabeça fora da água.
Fazer menos é, possivelmente, mais difícil do que tentar dar conta de tudo — seja por medo de ficar de fora ou pelo desejo de otimizar cada aspecto da própria vida. É mais difícil porque exige desapego, disposição para tolerar o desconforto e coragem para fazer as coisas de um jeito um pouco diferente do que todo mundo faz.
Vamos analisar isso.
A PRÁTICA DELIBERADA DE FAZER MENOS
Como seria “fazer menos” enquanto prática? É algo que você pode adotar no dia a dia, em vez de simplesmente eliminar tudo de uma só vez.
Por exemplo, você pode praticar o seguinte:
Escolher um item da sua lista de tarefas e decidir, deliberadamente, não realizá-lo hoje. Adie-o para a próxima semana.
Limitar-se a um número específico de tarefas por dia — digamos, 5 tarefas.
Decidir, deliberadamente, parar de trabalhar em um horário determinado e respeitar esse limite (por exemplo, às 17h ou às 16h).
Analisar sua agenda e decidir abrir mão de um compromisso por semana.
Desafiar-se a dizer “não” a todos os convites — caso sua agenda esteja sobrecarregada — durante um mês.
Reservar períodos sem estrutura na sua agenda, evitando preenchê-los com tarefas triviais ou reuniões.
Alguma dessas sugestões faz sentido para você? O que você acha que ganharia com isso?
Vale ressaltar que o principal obstáculo para “fazer menos” costuma ser o medo — o medo de ficar para trás ou de que os outros percebam que você está fazendo menos. Não precisamos ignorar esse medo; o mais importante é reconhecer que se trata, simplesmente, de medo. Podemos acolhê-lo, acalmá-lo e não permitir que ele dite os rumos da nossa vida. Trate o medo com gentileza, mas não deixe que ele assuma o comando.
O ESPAÇO CRIADO AO FAZER MENOS
Qual é o objetivo de tudo isso? Criamos um espaço de que precisamos desesperadamente.
Ao criar esse espaço, é provável que você note o seguinte:
Você ganha tempo para descansar e, de fato, recuperar sua saúde mental e física. Com essa recuperação, você passa a se sentir mais energizado e motivado.
Você encontra tempo para movimentar o corpo, preparar refeições saudáveis e dedicar-se a práticas de autocuidado que talvez estivessem sendo negligenciadas.
Você sente que, finalmente, consegue respirar. É uma sensação incrível.
No fim das contas, “fazer menos” não se trata de otimizar sua vida para ser mais produtivo a longo prazo. Trata-se de viver uma vida com equilíbrio, cultivar aquela paz interior que você tanto deseja e aproveitar melhor os seus dias.
Por isso, meu convite a vocês, meus amigos, é que escolham uma coisa para eliminar esta semana, em vez de acrescentar cada vez mais.
Canal: Leo Babauta
Fonte primária: https://zenhabits.net/doing-less/
Fonte secundária: https://eraoflight.com
Tradução: Sementes das Estrelas / Iara L. Ferraz
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