Steve Rother – “A ordem dos anjos de asas vermelhas”

Compartilhe esse artigo

A ORDEM DOS ANJOS DE ASAS VERMELHAS

De Steve: Desde que Lilith surgiu, ela pediu que eu vestisse vermelho ao canalizá-la. Normalmente não uso muito vermelho, então isso foi um tanto estranho. Tentei usar um chapéu vermelho e, depois, um chapéu preto com uma faixa vermelha, mas ela não ficou satisfeita. Então, tive a ideia de encontrar um broche vermelho para usar em sua homenagem durante as canalizações. Tenho certeza de que foi ela quem plantou essa ideia, pois, logo em seguida, ela canalizou esta mensagem que apresento com orgulho como a próxima edição de “Faróis de Luz”

SAUDAÇÕES DE CASA

Eu sou Lilith, a nona de nove, e me lembro do primeiro jardim da Terra. Lembro-me da terra fresca sob meus pés e do momento em que me disseram que o amor exigia que eu me curvasse diante de Adão. Eu me recusei. Por essa recusa, fui chamada de rebelde e lançada para além dos portões do jardim. Contudo, o exílio me ensinou o que o jardim não pôde: que nenhuma alma se eleva ao empurrar outra para o chão. Muitas eras depois, levei esse conhecimento a Eris, a gêmea multidimensional da Terra, onde o desequilíbrio havia tomado um rumo diferente.

Em Eris, as mulheres haviam se tornado as guardiãs incontestáveis ​​da lei, do saber, da propriedade e da expressão. Sua ascensão começara como uma libertação de uma crueldade antiga, mas a liberdade endureceu e transformou-se em domínio. Os meninos eram elogiados pela obediência. Esperava-se que os homens abrandassem cada opinião até que ela não ofendesse ninguém. Sua força era bem-vinda apenas quando servia, nunca quando se expressava livremente.

As mulheres de Eris não eram monstros. Eram, simplesmente, pessoas feridas que confundiram controle com segurança, assim como os homens da Terra haviam feito por tanto tempo. Finalmente percebi o medo profundamente arraigado nelas, e foi só então que comecei a ouvir o seu silêncio.

IDEIAS CARREGADAS EM SOLIDÃO

O primeiro homem a aceitar a promessa foi Taren, um fabricante de instrumentos musicais. Ele passara a vida transformando madeira em vozes, enquanto escondia a sua própria. Ao seu lado estava Oren, um professor que vira meninos curiosos tornarem-se cautelosos. Havia também Sef, um pai cuja filha o amava intensamente, mas fora condicionada a pedir desculpas sempre que citava a sabedoria dele. Aqueles homens não queriam vingança; queriam apenas estar ao lado das mulheres que amavam sem desaparecer. Esse desejo simples exigia uma coragem que Eris quase havia esquecido como reconhecer.
O encontro seguinte aconteceu na oficina de Taren, à noite, depois que as luzes da cidade haviam diminuído. Doze homens sentaram-se entre aparas de cedro e tambores inacabados. Por um bom tempo, ninguém disse nada. Então, Sef admitiu que não conseguia se lembrar da última vez que outro homem perguntara se seu coração estava cansado. A energia do ambiente suavizou-se e, um a um, os homens contaram as histórias que carregavam sozinhos há muito tempo. Suas histórias eram sobre pais que desapareciam no silêncio, filhos que temiam a própria raiva e maridos que confundiam paciência com rendição. Eles não ofereciam conselhos; apenas ouviam.
Pouco antes do amanhecer, Taren tocou um acorde grave em um de seus grandes instrumentos de corda. Todos pousaram a mão sobre a madeira para sentir a mesma vibração, e aquele tom profundo tornou-se a primeira voz coletiva deles. Esse tom passou a ser usado para iniciar todos os encontros seguintes. Ele falava diretamente ao coração e dava coragem àqueles que desejavam falar.

O VERMELHO FOI MINHA IDEIA

Com o tempo, um símbolo foi escolhido: um pequeno broche com duas asas vermelhas unidas no centro. Uma asa carregava a harmonia do feminino; a outra, a força do masculino. As duas asas acolhiam ambos em direção à plenitude. Qualquer pessoa podia usar o broche, pois não havia hierarquias nem inimigos a derrotar. Não se gritavam palavras de ordem, pois quem o usava fazia apenas uma promessa. Quando alguém perguntava o significado do símbolo, a resposta era honesta, gentil e corajosa.
No início, os três homens usavam os broches sob as golas, até que Taren passou a exibir o seu à vista de todos. Uma cliente notou o broche enquanto comprava para o filho um pequeno instrumento semelhante a uma harpa e perguntou o que ele significava. Taren colocou a harpa entre eles e disse: “Para que este instrumento funcione, as cordas precisam de tensão, mas ele só pode ser tocado com delicadeza. Se um desses elementos prevalecer sozinho, produz apenas ruído. Com as pessoas, é a mesma coisa”. A mulher olhou fixamente para ele e depois para o filho, que tocava as cordas como se fossem raios de sol. Ela comprou o instrumento e, na semana seguinte, voltou usando seu próprio broche de asa vermelha.

A mudança se propagou por meio das perguntas feitas sobre os broches. Certa vez, Oren disse a uma mãe que o equilíbrio significava permitir que os meninos falassem sem vergonha e que as meninas liderassem sem dureza. Em uma casa de cura, Sef disse a um membro do conselho que o cuidado não era algo feminino, nem a coragem algo masculino; ambos eram dons humanos. Homens e mulheres começaram a se reunir em cozinhas, oficinas, jardins e barcos ao longo do rio. Eles praticavam expressar o que sentiam antes de dizer o que queriam. O costume era nunca apontar o dedo, mas sim imaginar um estado de maior equilíbrio. Aprenderam a discordar sem serem cruéis e a permanecer unidos sem formar um exército. A Ordem dos Anjos de Asas Vermelhas tornou-se uma mensagem do coração sereno.

Mas nem todas as perguntas eram feitas com gentileza. Certa manhã, uma autoridade abordou um professor no portão da escola e exigiu saber se o broche dele classificava as mulheres como opressoras. As crianças se reuniram ao redor deles, e o professor poderia ter se defendido com aspereza. Em vez disso, porém, ele tocou a asa vermelha e respondeu: “Ele simboliza que cada pessoa existe sem divisões”. Então, perguntou à autoridade o que ela temia perder por causa do broche de asa vermelha. Sua expressão mudou visivelmente, pois ninguém jamais lhe havia perguntado do que ela tinha medo. Ela confessou que sua trisavó havia sobrevivido à era do domínio masculino, e que temia qualquer retorno a ela.

O PÊNDULO DO DOMÍNIO

Sim, o domínio masculino imperava em Eris nos primórdios. Ainda se contavam histórias sobre a crueldade e a opressão sofridas pelas mulheres. Eris vivenciou guerras insensatas e inúteis motivadas pela ganância, conflitos que dominaram e destruíram grande parte da Eris antiga e de seu povo. Embora isso tenha ocorrido há muito tempo, as cicatrizes ainda permaneciam nos corações de muitos erisianos. O sábio mestre prometeu que o equilíbrio honraria sua trisavó, e não a apagaria da memória. Naquele dia, a autoridade não aceitou o broche que lhe foi oferecido, mas parou de classificar a Ordem dos Anjos de Asas Vermelhas como perigosa.
A criança que havia me encontrado à beira do lago, em meu primeiro encontro, chamava-se Luma. Ela começou a desenhar asas vermelhas nas margens de suas lições. Quando o professor perguntou o que elas significavam, Luma respondeu: “Uma asa só não consegue levantar um pássaro”. As palavras passaram de sala em sala e chegaram aos lares, onde os adultos haviam feito o equilíbrio parecer algo impossivelmente complicado.
As mães começaram a perguntar aos filhos quais sonhos eles mantinham ocultos. Os pais perguntavam às filhas se o amor trazia a sensação de liberdade. Ao redor das mesas, durante o jantar, as famílias descobriram que ouvir não significava abrir mão da autoridade. Pelo contrário, era uma abertura por onde o afeto podia respirar e a luz podia transitar.
As asas vermelhas logo apareceram em mercados e concertos, nas vestes de juízes, nos aventais de padeiros e junto ao coração das crianças. Alguns líderes as ridicularizavam por medo. Outros alertavam que a Ordem dos Anjos de Asas Vermelhas era uma tentativa oculta de restaurar o domínio masculino, mas nossos membros respondiam sem raiva. Eles convidavam seus críticos a sentar-se em círculos, onde todos dispunham do mesmo tempo para falar. Ouviam as mulheres descreverem as antigas feridas que ainda habitavam as células de seus corpos. Depois, os homens descreviam a solidão de serem úteis, porém invisíveis. As lágrimas tornaram-se uma linguagem que nenhuma lei havia autorizado, mas que todos compreendiam.

A MUDANÇA

Durante o Festival da Primeira Luz, muitos anos depois do primeiro broche ter sido usado, a energia mudou significativamente. O Alto Conselho do Sehedrin falou em uma transmissão que chegou a todos os cantos de Eris, como era o costume. Naquele ano, milhares de pessoas compareceram pessoalmente usando broches de asas vermelhas. Elas não gritavam nem erguiam os punhos. Quando o conselho surgiu no palco, Taren ergueu um instrumento de sopro e tocou uma nota límpida. Era a mesma nota que ele havia tocado na primeira reunião a que compareci; então, Oren respondeu com uma nota harmônica. Por todo o espaço, homens e mulheres juntaram-se a eles com a voz ou com instrumentos, e cada um sustentava um tom harmônico diferente. Embora os líderes tenham tentado interromper a música após apenas alguns instantes, foi em vão. O canto criou uma harmonia natural que comoveu os corações de todos, fazendo as lágrimas correrem livremente. A harmonia era tão plena e terna que até mesmo os membros do conselho choraram.

A PROPOSTA DA PAZ

Quando a música cessou, uma jovem conselheira chamada Mara deu um passo à frente. Seu pai estava na multidão, com seu broche vermelho brilhando. Ela disse: “Chamamos o silêncio de paz, e a obediência de harmonia. Hoje, ouvimos a diferença”. Ela apresentou uma proposta para formar um coletivo de seis mulheres e seis homens — um conselho de equilíbrio — que também reservasse vagas para anciãos e jovens. A multidão não explodiu em triunfo, pois já havia ouvido promessas antes. Em vez disso, um murmúrio caloroso percorreu a assembleia: o som de pessoas reconhecendo que um futuro, pelo qual haviam secretamente ansiado, tornara-se agora possível. Sua proposta daquele dia chegou ao plenário do Sehedrin e foi aprovada. Foi então colocada em prática e continua em vigor.

Eris não se curou da noite para o dia; levou anos para transformar silenciosamente a consciência coletiva dos erisianos. Embora alguns resistissem fortemente, as escolas, os lares e as leis mudaram, e os corações se abriram. Mesmo diante de uma oposição baseada no medo, homens e mulheres continuaram a dialogar, e sua voz coletiva permaneceu suave o suficiente para ser ouvida.

As mulheres descobriram que compartilhar o poder não as diminuía. Os homens descobriram que a ternura não enfraquecia sua força. As crianças cresceram vendo a força e a compaixão sentadas à mesma mesa. A Ordem dos Anjos de Asas Vermelhas tornou-se menos visível à medida que o equilíbrio se naturalizava ao longo dos anos seguintes. As pessoas em Eris já não usam os broches de asas vermelhas, pois eles não são mais necessários como antes. No entanto, as histórias de equilíbrio natural estão agora gravadas no coração de todos os erisianos.

Agora, retornei à Terra, onde as velhas feridas exibem a mesma face que conheci no jardim com Adão. Por tempo demais, a humanidade viveu sob uma supremacia masculina desconectada de sua sabedoria feminina, marcada por guerras insensatas de ganância e agressão. Os humanos na Terra promoveram grandes movimentos de correção nesse sentido, incluindo o recente movimento “MeToo”. Este é o momento perfeito para introduzir a mudança silenciosa do coração.

O propósito da Ordem dos Anjos de Asas Vermelhas vai além de um chamado para mudar a perspectiva masculina. Ela também convoca as mulheres a saírem do esconderijo de seus papéis de submissão e a assumirem a responsabilidade pelo seu próprio poder. Essas mudanças não são fáceis e todas exigem tempo. A Ordem dos Anjos de Asas Vermelhas não existe para mudar mentes, apenas para semear em solo fértil.

Meu trabalho em Eris chegou ao fim e agora retorno ao Grupo dos Nove. Não volto à Terra para punir Adão, nem para derrotar seus filhos. Retorno em vermelho, com as asas vermelhas abertas, para reunir mulheres e homens prontos para se reconhecerem e se unirem novamente em igualdade. A Ordem dos Anjos de Asas Vermelhas está se formando novamente. Seu primeiro templo é um coração que sabe ouvir, e sua primeira cerimônia é uma conversa corajosa. O milagre é o momento em que dois seres humanos se encontram como iguais; eles sentem o futuro de esperança e empoderamento.

Que o tom profundo de Taren seja agora ouvido na Terra, pois foi assim que Eris começou a ascender a uma frequência de quinta dimensão. Não pela conquista, mas pela harmonia. Um pequeno alfinete convidou a uma pergunta, e essa pergunta convidou a uma verdade. Isso atraiu outra voz e mais outra, até que o silêncio se transformou em canção. Eu sou Lilith, a nona de nove, e atravessei mundos para compartilhar isso. O equilíbrio não é o fim das diferenças. Pelo contrário, é a harmonia resultante da diferença quando o amor dá a cada alma espaço para se afirmar.

Pedimos que se tratem com respeito, que cuidem uns dos outros e que convivam em harmonia, como um só.

Espavo

Canal: Steve Rother
Fonte: https://www.espavo.orghttp://lightworker.com/

Tradução: Regina Drumond – reginamadrumond@yahoo.com.br
Veja mais O Grupo/A Equipe Aqui

Loading spinner
Compartilhe esse artigo

Sobre o autor (a)

Neva (Gabriel RL) é uma consciência estelar de Alfa Centauri e walk-in atuante como embaixadora do Comando Ashtar na Terra. Herdeira de uma linhagem milenar de videntes xamãs, sua missão é a integração corpo-alma-espírito através da cura e elevação das Sementes das Estrelas na entrega das suas origens estelares. Especialista em Registros Akáshicos, Projeto Terra, Geometria Sagrada, Magia, Prosperidade e Alquimia, funde mediunidade com terapias integrativas como Constelação Sistêmica, Cristaloterapia, Aromaterapia e outras terapias profundas. Escritora e mentora, Neva dedica-se à expansão da consciência e prosperidade cósmica, unindo forças estelares e terranas para orientar a humanidade em momentos cruciais de transição planetária através do autoconhecimento e da ética galáctica. Veja a biografia completa de Neva

Interaja com a gente

Deixe seu comentário