Aline acordou, parecia o porão de sua casa, a não ser pelos odores. Quando ela
levantou a cabeça, percebeu que o teto era muito baixo, mal podia se erguer
completamente.
estou aqui? – perguntou a menina um pouco confusa. Aos poucos ela foi lembrando
que estava com Rubi antes de acordar naquele lugar. “Rubi, menina, está aí?
Vem, Rubi, vem, Rubi…”. Foi em vão, porque ninguém respondeu.
ninguém respondia, Aline começou a ficar preocupada e aflita. Para ela, aflição
era algo pouco recorrente. Quando alguma coisa não estava bem, ela logo parava
para fazer uma reflexão e tentar retornar ao estado de Alegria e Amor de
sempre.
um clima confuso e tortuoso que Aline não conseguia compreende. Sentou-se e lembrou
do que sua mãe tinha falado a ela quando seu amigo Káki, o passarinho, tinha
morrido por comer um lagartinho venenoso. Naquela ocasião, depois de dias que o
passarinho estava doente, a mãe de Aline pegou o corpinho de plumas amarelas
com pontinhas verdes, levantou sua cabecinha azul anil e disse: “Querida, veja
o nosso amado, não é porque não se mexe mais que não podemos amá-lo e
carrega-lo dentro de nossos corações. Não chore, filha minha… sempre que se
sentir assim, faça uma oração ao Bom Deus, cante para exprimir suas emoções e
lembre-se que há vida e amor em tudo, lembre-se que o que rege a vida é o amor,
mas não permita seu coração ser abatido pela tristeza, cante com a tristeza,
torne-a sua amiga, pois a tristeza procura um amigo para voltar a ser
alegre…”
começou a orar em canto crescente.
cantar! Lá-lá-lá
aproximava; em sua mente era algum animal, pássaro ou amigo que se chegava para
cantar com ela, seu coração estava tão inundado de alegria que não deu muita
atenção à figura estranha que se encontrava a sua frente.
garota que deu um salto assustada. Nunca antes alguém tinha falado assim com
ela em sua casa ou entre amigos. Após um tempo sem entender o que se passava,
Aline procurou uma reação e disse: “Olá, senhor, desculpe se meu canto
incomoda, mas é a forma que eu encontro para acalentar meu coração… como
minha mãe me ensinou”.
ENGRAÇAAAADAAA!!! – gritou o vulto com um ar de arrogância. Aline também riu,
seu riso era tão suave como o perfume das flores, ela estava acostumada a
retribuir um sorriso com sorriso, uma risada com risada e assim o fez.
risada e foi em direção da menina, mas não pode encostar-se nela, pois havia
uma grade que os separava, então apenas disse: “Quero ver quanto tempo dura a
sua bondade dentro dessa jaula, quero ver se sua bondade vai resistir aos dias
de escuridão que ficará trancafiada aí!!! AHAHAHAHAHA”.
acontecendo, ela notou que estava sentindo um frio estranho pelo corpo,
percebeu seu coração acelerado e uma vontade de se encolher ali onde estava e
não se mexer, até toda aquela situação acabar. Ela encostou sua cabeça no chão,
virou-se e deixou lágrimas escorrerem em seu rosto. Ficou abraçada ao seu
próprio corpo como um bebê até sua respiração acalmar e voltar ao normal.
Depois de um suspiro percebeu um movimento na cela, bem ligeiro, parecia um
pequeno animal correndo.
Na
cabeça de Aline mil coisas se passaram depois da resposta do ratinho,
lembrou-se de sua casa, de sua mãe, da Rubi e disse:
quero minha casa.
casa? Não foi assim que sua mãe te ensinou? – Aline não entendeu bem como o
ratinho sabia desse ensinamento, presumiu logo que era algum amigo de sua mãe.
Aline com pesar.
confie no Bom Deus, você não sente que logo tudo ficará bem dentro de si? – perguntou
novamente o ratinho muito confiante.
sempre dá tudo certo, não é? – respondeu ela com pouco mais entusiasmo.
veio parar aqui? O que você estava fazendo antes de vir para cá?”
profundo sentimento no coração, ela já havia sentido antes, mas não com tanta
força. Desse sentimento surgiu um belo sorriso no rosto molhado de Aline.