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terça-feira, 18 de agosto de 2020

Daniel Danguy - "Qual terapeuta pode transformar a sua vida?"



Essa semana estive refletindo com frequência sobre o papel do terapeuta nas nossas vidas. O que disparou essa avalanche de sentimentos e pensamentos sobre isso foi uma palestra que assisti da professora Lúcia Helena Galvão, uma referência para a filosofia, assim como um ser humano dotado de profundidade sobre a dimensão espiritual. Nesse vídeo¹, ela faz um comentário sobre um artigo sobre a Fraternidade dos Terapeutas, de José Carlos Fernández, diretor da Nova Acrópole de Portugal.

Fílon de Alexandria (20aC – 50aC), foi um filósofo judeu que vivia entre os terapeutas e escreveu “A vida contemplativa”, onde registrou sobre seu estilo de vida e valores. A fraternidade dos terapeutas era um grupo de filósofos egípcios, que se concentravam às margens do Lago Mareotis, que fica perto de Alexandria – segundo Fílon, também havia pequenos grupos espalhados por todo o Egito. Eles reservavam a sua vida para adentrar o seu próprio centro, o sol interior. Viviam absortos em auto investigação, tendo como objetivo acessar a verdade da existência, do cosmos, dentro do ser humano. Em sintonia com a sua energia de sabedoria, as pessoas os procuravam para cura e orientação em suas vidas.

Eles eram grandes curadores e não atendiam a todos, mas apenas aqueles que realmente estavam aspirando por uma purificação profunda em todos os planos. Não só no material, no mental, mas também no espiritual.

Para você ter uma ideia do que a função que eles representam, olhemos para raiz da palavra. Terapeuta é uma palavra grega arcaica, que deve ser umas das mais antigas da Grécia, segundo etimologistas. Algumas raízes das palavras que são citadas pelo Homero, é Therapon/Therapontos (serve ao guerreiro, conduz o carro), Théraps (servidor) e Therapne (morada).

Vejam como a etimologia dessa palavra reflete o quanto ser terapeuta é um trabalho que está profundamente embasado no que significava essa função na Grécia, na época. Servir, cuidar, conduzir, guiar ao mais profundo, ao sol interior.

Hoje em dia, temos muitos terapeutas de diferentes áreas. Terapeutas do corpo, do movimento, da mente, além daqueles que também olham para a espiritualidade. Quantos desses realmente têm como propósito ser um canal de cura para quem os procuram?

A terapia no ocidente, inspirada nos grandes pensadores e cientistas, como Newton e Descartes, foi se fragmentando, se dissociando de um sentido mais profundo da cura. Através da boa intenção, de criar ramos de especialização científica, também acabamos por construir barreiras para uma integração do ser humano à sua natureza saudável.

Para mim, ser terapeuta hoje em dia, não é apenas uma profissão, um papel que se cumpre. É uma expressão da existência como um todo da pessoa, assim como os terapeutas antigos faziam. Para realmente facilitar a transmutação na vida de alguém, ele deve ser chama ardente e focar constantemente no despertar do seu sol interior, para assim, servir de carruagem, de guia, para que a pessoa que a busca encontre referência e inspiração para fazer o mesmo.

Isso também me lembra uma reflexão que Eckart Tolle faz no livro “O Poder do Agora”: 

“Quando colocamos um pedaço de lenha que tenha começado a queimar há pouco tempo perto de outro que está queimando vigorosamente e, depois, separamos os dois outra vez, o primeiro tronco passará a queimar com uma intensidade muito maior. Afinal de contas é o mesmo fogo. Ser um fogo dessa natureza é uma das funções de um mestre espiritual. Alguns terapeutas estão aptos a preencher essa função, desde que tenham alcançado um ponto além do nível de consciência e sejam capazes de criar e sustentar um estado de presença intensa e consciente enquanto estiverem trabalhando com você”. (p. 45)

Nesse sentido, percebemos que não importa tanto quais as ferramentas que um mestre ou terapeuta tem, mas é muito relevante o seu nível de presença, de consciência.

O que mais me tocou sobre esse conhecimento foi, que mesmo eu não tendo tido contato sobre a existência desse grupo, o meu coração, o meu espírito, imediatamente acionou uma lembrança transcendental. É aquele sentimento difícil de ser explicado em referenciais lineares. Isso é uma prova que o legado dos terapeutas antigos transcende o tempo e o espaço e desperta o nosso potencial de cura só de lembrá-los.

Caso essa temática existencial tenha tocado vocês assim como me tocou, recomendo que também leiam o artigo do Professor José Carlos.
Um abraço afetuoso,

Daniel Danguy
Psicólogo e Terapeuta
(CRP 80/30999)

¹https://www.youtube.com/watch?v=pgqhkbSQsoE&t


Autor: Daniel Danguy
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