
Filhos, Salve Filhos!
Que bom poder falar com vocês e trazer um pouco da minha história passada na Terra.
Os filhos são sabedores de muita coisa.
Os filhos já caminharam por todo esse mundo de Deus.
Não se esqueçam nunca filhos; não se esqueçam nunca da fé; não se esqueçam nunca da fé em Deus, da fé em Jesus, Nosso Senhor.
Houve um tempo, meus filhos, que esse Preto Velho, nos trabalhos que realizava na senzala, procurava ajudar tanto quanto pudesse, a tudo e todos. Primeiro que eu era medroso, tinha medo de apanhar, então procurava fazer o que era certo. Segundo eu gostava de fazer o que era certo. Isso meus filhos, foi bem perto daquela princesa libertar nós. Vocês sabem da história! Começou os rumores de que nós seriamos libertados. Começou o burburinho que nós seriamos libertados, e aí começou também as preocupações e medos acerca do que nós íamos fazer, com a nossa, com a nossa libertação. Continuava fazendo o meu trabalho, continuava no meu “servidor”, ajudando tanto aos outros negros, como a casa grande.
Nesse tempo todo, a Sinhá lá, que coordenava tudo, sempre de olho em nós. Eu, eu era aquele preto que apesar de ela ter uma desconfiança, porque via sempre eu fazendo as coisas certas, e ela costumava dizer: esses pretos começam a querer fazer as coisas certas demais, tão aprontando alguma coisa ou vão aprontar. Mas não era, eu gostava de fazer e também porque tinha medo. Mas um dia, um dia ela me chamou. Um dia a Sinhá me chamou de canto e disse: Ó, você vai ajudar eu organizar uma viagem. Eu preciso viajar, preciso sair um pouco daqui. Vou deixar minha filha tomando conta. Vocês tudo vão ficar sendo regido por ela, mas eu quero que você me ajude a arrumar a viagem, porque vou me demorar lá nos outros países. Eu falei tá certo, tá certo!
Passou uns dias, uns 2 dias, comecei a ajudar ela a arrumar as coisas. Por que que ela não chamou as outras criadas da casa, as outras negras que ajudavam na casa? Ela não confiava tanto, ela confiava mais nesse negro aqui. Aí ela me levou num lugar, dentro da casa, onde ela guardava o que ela tinha de mais precioso. Ela guardava as joias, ela guardava o ouro, ela guardava a prata, ela guardava os tecidos finos, ela guardava as especiarias mais caras.
Tá certo! Você vai me ajudar a organizar algumas coisas aqui que eu vou levar, algumas coisas disso aqui, coloca um pouco dessas especiarias naquela bolsa, você bota um pouquinho do ouro naquela outra bolsa, você bota um pouquinho da prata, naquela você bota esses tecidos aqui, assim, assim, assim… E eu fui organizando tudo dentro de uma mala. Deixei guardadinho, fechado.
De vez em quando, dentro de mim, vinha a incerteza sobre o meu futuro e ao mesmo tempo eu sentia a presença do grande Oxalá, a tranquilizar o meu coração. Ó, meu filho, vai dar tudo certo! Confie que vai dar tudo certo! E isso no meio daquele movimento que eu estava arrumando as coisas dela, me vinha, eu parava, ficava olhando para o nada, o que que eu vou fazer da minha vida. E ela: continua o trabalho! E aí eu caia em mim de novo e continuava arrumando as coisas.
Até que se aproximando mais ainda o dia da libertação, e essa libertação, o dia da libertação dos escravos, nós ficamos sabendo, a princípio, não foi por causa de uma voz humana encarnada, foi nas incorporações que acontecia, que avisava que estava chegando o tempo da nossa libertação e o burburinho começou a rondar por todo canto. Porque havia os médiuns em todas as senzalas recebendo a mesma mensagem, sincronizada.
Chegou o dia da Sinhá viajar, e ela decidiu que por segurança – ela mudou de ideia, meio que de última hora – que ela levar todas aquelas coisas caras, ao invés de ser naquela mala, ia ser numa trouxa, igual nós fazíamos com as nossas coisas. E que não era muita coisa, mas nós fazíamos os nossos montinhos para levar de um canto para o outro. E aí ela disse: eu quero que você faça igual você faz, igual vocês fazem quando vão levar uma coisinha de um canto para outro. Aquelas trouxas. Sabem filhos, aquelas trouxinhas?
E aí eu fiz, botei ouro, botei prata, botei alguns tecidos bem caros, botei algumas especiarias, ficou um monte, um montinho, bem bonitinho. E ficou ali meio que um pouco para fora da casa. Aquela movimentação toda, e ela estava se preparando para viajar. Chegou a carruagem, começou a botar as coisas dentro da carruagem, só que a trouxinha ainda não, a trouxinha ficou lá em cima da mesinha, lá na varanda, e ela de olho.
Nesse momento que ela estava para entrar na carruagem e ir embora, começou uma gritaria dentro da senzala e começou uns negros brigarem lá dentro e foi um furdunço, um furdunço. E um corre daqui, e um corre dali, as negras de dentro da casa grande saíram correndo e tombaram na mesa onde estava a trouxinha com o ouro e as outras coisas. Esse negócio foi rolando, foi rolando, foi rolando mais para o meio do terreno, e foi aquela “negraiada” correndo para todo quanto é lado.
Nesse momento, um dos negros ali daquele corre-corre, pegou essa trouxa e levou para dentro da senzala. A Sinhá não viu, nem percebeu, estava preocupada com a confusão que estava acontecendo. Pouco não, a confusão foi acalmando, veio o mesmo negro que tinha pegado a trouxa com a trouxa de volta. Botou no mesmo canto. Ninguém viu, ninguém percebeu, muito menos a Sinhá. Acalmou tudo. Ela pegou as coisas, botou na carruagem, deu ordem para os capitães do mato que ela fez ficar de olho redobrado, ficar de atenção redobrada com tudo, por causa da confusão que tinha acontecido, e ela foi embora.
Entrei para dentro da senzala, fui organizar minhas coisas, porque continuávamos recebendo os avisos que nós íamos ser libertos dali. Onde que estava a trouxa agora, com as coisas, com as coisas caras da Sinhá? Onde que estava?
Vou continuar a história semana que vem (risos)…
Se vocês quiserem que eu volte para continuar. Vai ficar todo mundo curioso… cadê a trouxa da Sinhá? Onde foi parar as coisas caras da Sinhá? Sim, foi para dentro da senzala, mas por quê? Para que? Como que vai ser quando ela perceber que não está mais com ela? Qual a moral da história?
Paciência!
Vocês precisam aprender a ter paciência. Vocês precisam aprender a confiar! (risos)Confiar no plano divino.
Hoje, hoje eu vim para contar a história inteira, mas eu senti de mudar, porque as coisas podem mudar, não é meus filhos? (risos) As coisas podem mudar.
E semana que vem, se vocês estiverem todos aqui, quiserem me ouvir, eu vou continuar a história. Onde que foi parar isso? o que se deu quando a Sinhá percebeu que não estava mais com a trouxa? E como é que foi a nossa libertação. Para onde que esse velho foi? O que fez?
Enquanto vocês estão dando atenção para esse velho, nós estamos trabalhando umas coisas em vocês.
Salve a força, filhos, de Pai Eusébio Africano!
Esse aparelho em Cristo Jesus!
E outras coisas: muitos de vocês estavam no meio daquela confusão, estavam no meio daquela confusão toda. Toda confusão armada para pegar a trouxa cheia de coisa cara da Sinhá, mas por quê? Ah, é só para roubar? Tem outro sentido.
Salve filhos!
Até semana que vem na nossa historinha.
Graças a Deus.
Transcrição: Roseclair Teixeira / Sementes das Estrelas
Revisão Textual: Paulah Divino / Sementes das Estrelas
1 comentário
Ansiosa para à aula da próxima segunda ✨✨✨✨💖