
MANTER-SE COM OS PÉS NO CHÃO SEM SE DESLIGAR
Muitas pessoas, neste momento, sentem-se exaustas por causa das notícias, da economia, da política, das guerras, da febre em torno da inteligência artificial… é muita coisa para lidar.
Diante da sensação de que o mundo está “pesado demais”, as pessoas costumam reagir de duas formas:
Envolvimento excessivo: sentindo-se ansiosas com o que acontece no mundo, as pessoas acabam ficando viciadas em acompanhar as últimas notícias, consumindo conteúdos negativos em redes sociais (o chamado doomscrolling) e remoendo tudo isso mentalmente; ou
Desconexão: a situação parece insuportável, então a pessoa decide se desligar. Para de acompanhar notícias, evita as redes sociais (ou acessa apenas conteúdos de entretenimento) e não se envolve com nada. “O problema não é meu.”
Será que existe uma maneira de manter o equilíbrio e o engajamento sem precisar se desligar totalmente? É possível continuar engajado sem se sentir tão exausto?
Acredito que a maioria de nós deseja estabilidade interior e uma base sólida, ninguém quer viver em estado de exaustão. Mas será possível alcançar isso quando tantas coisas acontecem no mundo ao mesmo tempo?
Vamos chamar isso de uma terceira opção: manter-se equilibrado e engajado com o mundo.
Vamos conversar sobre isso.
O CUSTO DESSA FALSA ESCOLHA
Se acreditamos que a única alternativa é estar engajado — vivendo em um ciclo de ansiedade — ou desconectado — para preservar a própria sanidade —, então nos vemos forçados a escolher entre um caminho ou outro. Mas talvez essa seja uma falsa escolha.
Essa falsa escolha traz um custo, independentemente do que decidamos:
O custo do envolvimento excessivo: passar o tempo todo rolando a tela, sentindo-se constantemente ansioso ou enfurecido, não dormir o suficiente, não conseguir se concentrar em um trabalho significativo — ou em qualquer atividade que exija calma e uma reserva de energia que não esteja esgotada. Esse é um custo real que vai além da perda da nossa paz de espírito (o que, por si só, já é algo grave)… perdemos a capacidade de foco. Isso drena nossa alegria e nosso propósito de vida.
O custo do distanciamento: “Desligar-se” pode trazer uma sensação de alívio, mas também acarreta custos significativos — incluindo a exclusão de discussões sobre como queremos que o mundo seja, como será o nosso futuro e quais soluções podem existir. Além disso, acabamos nos desconectando das pessoas e perdendo a nossa capacidade de agir.
Não estou julgando nenhuma dessas atitudes — eu mesmo já adotei ambas, e elas parecem escolhas razoáveis. Não estou dizendo que sejam ruins… apenas quero reconhecer os custos que elas trazem.
COM OS PÉS NO CHÃO E ENGAJADO
Para começar, sejamos honestos: as notícias sobre o que acontece no mundo podem despertar ansiedade, raiva, frustração, sobrecarga, tristeza e uma sensação de impotência em todos nós. Essa é a realidade.
Portanto, o que precisamos fazer é encontrar uma forma de nos ancorar — manter os pés no chão — quando essas emoções surgem.
Aqui está um método simples (simples, mas que exige bastante prática):
Reconheça que você está sentindo algo: isso é algo que você pode fazer ao ler notícias ou navegar por um feed. Faça isso de forma bem intencional e tente perceber quando suas emoções começam a ficar agitadas.
Observe como você se sente no seu corpo: muitas vezes nos envolvemos com os pensamentos sobre as coisas mas não notamos as sensações físicas que ocorrem no corpo naquele momento. Se você está frustrado ou com raiva, onde isso se manifesta fisicamente no seu corpo? Qual é a sensação? Você consegue observar essas sensações com curiosidade, sem se deixar levar pelos pensamentos?
Respire e acalme-se: faça algumas respirações profundas, lentas e tranquilizadoras. Isso ajuda a desacelerar o seu sistema nervoso. Deixe os músculos tensos relaxarem. Lembre-se de que você está em segurança e não há nada a temer.
Lembre-se do que você pode controlar neste momento: você não pode controlar o mundo inteiro — e nem precisa. Foque apenas no poder que você tem agora, neste instante: o poder de respirar, de se acalmar e de apreciar a beleza do mundo ao seu redor.
Passos adiante: você também pode conversar com outras pessoas sobre isso — ter um diálogo — assim que estiver um pouco mais calmo. E pode elaborar uma lista de algumas ações que pretende realizar nas próximas semanas para se envolver.
É aqui que entra o aspecto do “engajamento” no conceito de estar “centrado e engajado”: você pode participar de conversas e realizar pequenas ações. Pode ler um pouco mais e buscar mais conhecimento sobre o assunto.
Também é possível conversar com pessoas que possuem opiniões diferentes, tentando compreendê-las e nutrindo compaixão pelo medo e pela ansiedade que elas também estão sentindo.
Você pode se envolver com organizações que buscam promover mudanças, enquanto exercita sua própria estabilidade interior.
Além disso, é importante reconhecer quando você precisa de uma pausa nesse engajamento, para cuidar de si mesmo. Recarregue suas energias antes de chegar à exaustão.
Não é preciso se esgotar — na verdade, acredito que é muito melhor não chegar a esse ponto. O mundo se torna um lugar melhor quando você está centrado e quando seu engajamento parte de um estado em que suas “baterias” não estão esgotadas.
Como você gostaria de praticar isso?
Canal: Leo Babauta
Fonte primária: https://zenhabits.net/staying-grounded/
Fonte secundária: https://eraoflight.com
Tradução: Sementes das Estrelas / Iara L. Ferraz
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