
banco, sentei no chão e me encostei ao fino pilar que sustentava a cobertura.
Sentia uma brisa gelada que vinha contrária ao meu rosto, este sempre olhando
para a rua, esperando o ônibus.
mal. Naquela noite fria, no chão, percebi o quanto seria bom estar em casa e o
quanto seria ruim se aquele mesmo lugar fosse a minha casa, ou melhor, se eu
não tivesse nenhum lugar para ir a não ser uma cobertura de ponto de ônibus.
foi peculiar, não pela espera, e sim pelo vazio que se apoderou de mim. Eu
estava vazio de mim mesmo perante aquele pensamento: “E se eu não tivesse uma
casa para ir?”. Desse momento em diante, comecei a perceber a forma indiferente
que os carros na minha frente desfilavam; irreverentes, talvez nenhum motorista
tenha notado que havia alguém naquela hora de uma noite fria esperando um
ônibus.
ninguém”, mas logo em seguida percebi que isso não era verdade. Naquele exato
momento eu dependia do motorista do ônibus, dependia do dono da empresa daquele
transporte público que comprou o ônibus, logo eu também dependia da empresa que
fabricou o ônibus e de seus funcionários.
dependia do dono da casa. A cama não fui eu que fiz, muito menos os lençóis e o
colchão. Nada na minha vida fui eu mesmo que tinha feito ou criado independentemente.
sociedade pensando no dinheiro que irá receber. O motorista se preocupa com seu
pagamento, o dono da empresa de transporte com o lucro das passagens, o
fabricante ou montador se preocupa apenas em vender os ônibus e os seus
funcionários com os salários que irão receber na montadora. O proprietário da
casa onde eu morava se interessava em receber o aluguel e todo o mobiliário que
eu usava nela foi feito com a intenção de ser vendido.
sociedade onde todos dependem de todos para sobreviver e ter seu conforto se ao
invés da indiferença, da falta de sensibilidade e até mesmo da competitividade
com os outros, houvesse respeito, harmonia, gratidão, tolerância e
fraternidade.
motorista com muito mais entusiasmo do que de costume.
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