
Em alguns casos, através de desastres ou da guerra, eles perderam todos estes, simultaneamente, e se encontraram com “nada”. Podemos chamar a isto de uma “situação limite”. Seja o que for com que eles tenham se identificado, seja o que for que lhes davam o seu próprio sentido, foi-lhes tirado.
Então, súbita e inexplicavelmente, a angústia ou o medo intenso que eles sentiam inicialmente, deu lugar a um sentimento sagrado da Presença, uma paz profunda e serenidade e a completa libertação do medo.
Este fenômeno deve ter sido familiar a São Paulo, que usou a expressão: “A Paz de Deus que excede todo o entendimento.” É realmente uma paz que não parece ter sentido, e as pessoas que vivenciaram a experiência se perguntaram: “Diante de tudo isto, como pode ser que eu sinta esta paz?”
A resposta é simples, uma vez que você compreenda o que é o ego e como ele opera.
Quando as formas com que você tinha se identificado, que lhe davam o seu próprio sentido, entram em colapso ou desaparecem, isto pode levar a um colapso do ego, desde que o ego é uma identificação com a forma.
Quando não há nada mais com que se identificar, quem é você?
Quando as formas ao seu redor morrem ou a morte se aproxima, seu sentido de Ser, o EU SOU, é liberto do seu entrelaçamento com a forma. O Espírito é libertado de sua prisão na matéria.
Você percebe a sua identidade essencial como amorfa, como uma Presença que a tudo permeia, do Ser anterior a todas as formas e identificações. Você percebe a sua verdadeira identidade como a própria consciência, e não com o que a consciência tinha se identificado.
Esta é a Paz de Deus.
A verdade suprema de que eu não sou isto, ou eu não sou aquilo, mas EU SOU.
Extraído do livro de Eckhart Tolle: “Uma Nova Terra (A New Earth), páginas 56 e 57.